terça-feira, 29 de junho de 2010

05 - O PRAGMATISMO E A IGREJA HOJE

Pragmatismo é a noção de que o significado ou o valor é determinado pelas conseqüências práticas. É muito similar ao utilitarismo, a crença de que a utilidade estabelece o padrão para aquilo que é bom. Para um pragmatista/utilitarista, se uma determinada técnica ou um curso de ação resulta no efeito desejado, a utilização de tal recurso é válida. Se parece não produzir resultados, então não tem valor. O pragmatismo como filosofia foi desenvolvido e popularizado no final do século passado pelo filósofo William James, junto com outros intelectuais famosos como John Dewey e George Santayna. Foi William James que deu o nome e molde à nova filosofia. Em 1907, ele publicou uma coleção de preleções intitulada Pragmatismo: Uma Nova Nomenclatura para Algumas Velhas Formas de Pensar. Assim, delineou uma nova abordagem para a verdade e a vida. O pragmatismo tem suas raízes do darwinismo e no humanismo secular. É inerentemente relativista, rejeitando a noção dos absolutos - certo e errado, bem e mal, verdade e erro. Em última análise, o pragmatismo define a verdade como aquilo que é útil, significativo e benéfico. As idéias que não parecem úteis ou relevantes são rejeitadas como sendo falsas. O que há de errado com o pragmatismo? Afinal de contas, o bom senso requer uma dose de pragmatismo legítimo, não é mesmo? Se uma torneira que vazava constantemente volta a funcionar após Ter sido substituído o "reparo" gasto, é razoável supor que o problema estava no "reparo" gasto. Se o medicamento receitado por seu médico tem efeitos colaterais, ou se não produz o resultado esperado, você precisa solicitar-lhe um remédio que funcione. Realidades pragmáticas simples como essas são, por si mesmas, óbvias. Quando o pragmatismo, entretanto, é utilizado para formularmos juízo acerca do certo e do errado ou quando se torna a filosofia norteadora da vida, da teologia e do ministério, acaba, inevitavelmente, colidindo com as Escrituras. A verdade espiritual e bíblica não é determinada baseando-se no que "funciona" ou no que "não funciona". Sabemos por intermédio das próprias Escrituras, por exemplo, que o evangelho freqüentemente não produz uma resposta positiva (1 Co 1:22,23 e 2:14). Por outro lado, as mentiras satânicas e o engano podem ser bastantes eficazes (Mt 24:23, 24; 2 Co 4:3,4). A reação da maioria não é um parâmetro seguro para determinar o que é válido (Mt 7:13,14), e a prosperidade não é uma medida para a veracidade (jó 12:6). O pragmatismo como uma filosofia norteadora do ministério é inerentemente defeituoso e como uma prova para a veracidade é satânico. Entretanto, um irresistível surto de pragmatismo está permeando o evangelicalismo. A metodologia tradicional - especialmente a pregação - está sendo descartada ou menosprezada em favor de novos métodos, tais como dramatização, dança, comédia, variedades, grandiosas atrações, concertos populares e outras formas de entretenimento. Esses novos métodos são, supostamente, mais "eficazes", ou seja, atraem grandes multidões. E, visto que, para muitos, a quantidade de pessoas nos cultos tornou-se o principal critério para se avaliar o sucesso de uma igreja, aquilo que mais atrair público é aceito como bom, sem uma análise crítica. Isso é pragmatismo. Talvez os sinais mais visíveis do pragmatismo sejam as mudanças convulsivas que, na década passada, revolucionaram o culto de adoração das igrejas. Algumas das maiores e mais influentes igrejas evangélicas agora ostentam cultos dominicais que são planejados com o propósito de serem mais divertidos do que reverentes. Pior ainda, a teologia concede à metodologia o lugar de honra. Certo autor escreveu o seguinte: "Anteriormente, a declaração de fé representava a razão de ser de uma denominação. Hoje, a metodologia é o vínculo que mantém as igrejas unidas. Uma declaração ministerial define a igreja e a sua própria existência denominacional". É incrível , porém muitos crêem que essa é uma tendência positiva, um tremendo avanço para a igreja moderna. Alguns líderes eclesiásticos aparentemente pensam que as quatro prioridades da igreja apresentadas no livro de Atos - a doutrinados apóstolos, a comunhão, o partir do pão e as orações (At 2:42) - constituem uma agenda deficiente para a igreja de nossos dias. Eles estão consentindo que a dramatização, a música, a recreação, o entretenimento, os programas de auto-ajuda e iniciativas semelhantes eclipsem o culto e a comunhão dominical tradicionais. Aliás, na igreja contemporânea tudo parece estar na moda, exceto a pregação bíblica. O novo pragmatismo encara a pregação (particularmente, a pregação expositiva) como antiquada. Proclamar de modo claro e simples a verdade da Palavra de Deus é visto como ingênuo, ofensivo e ineficaz. Dizem-nos que obteremos melhores resultados se, primeiramente, entretivermos as pessoas ou lhes oferecermos dicas a respeito de como serem bem-sucedidas e lhes ministrarmos "psicologia popular", cortejando-as assim para que "façam parte de nosso grupo". E, uma vez que se sintam bem, estarão dispostas a receberem a verdade bíblica em doses homeopáticas e diluídas. Há pastores se voltando para livros de marketing em busca de técnicas que ajudem no crescimento da igreja. Muitos seminários abandonaram sua ênfase básica de treinamento pastoral alicerçado em um currículo bíblico-teológico, trocando-o por um treinamento alicerçado em técnicas de aconselhamento e em teorias de crescimento de igreja. Todas essas tendências apontam para o crescente comprometimento da igreja com o pragmatismo. 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