IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS - Embora oriunda de uma “costela” da Nova Vida, a Igreja Universal é seu oposto em matéria de expansão e freqüência nas manifestações de poder divino e demoníaco na vida cotidiana dos crentes. A Igreja Universal surgiu no cenário nacional em 1977 numa sala de uma ex-funerária no bairro da Abolição, subúrbio da zona norte do Rio., fundada por Edir Bezerra Macedo, carioca, filho de migrantes nordestinos. Seu pai era comerciante, sua mãe dona de casa. Edir é o quarto de uma série de 33 filhos, dos quais 10 morreram e 16 foram abortados por terem nascido “fora de época”. Com 17 anos, em 1962, Edir Macedo começou a trabalhar como servente na Loterj, Secretaria de Finanças do Estado. Em 1977, quando era agente administrativo, pediu licença do trabalho, vindo a se desligar totalmente da Loterj em 1981. Nos começo dos anos 70 freqüentou a Universidade Federal Fluminense cursando matemática e a Escola Nacional de Ciências e Estatística onde cursou estatística. Acabou não concluindo nenhum. Com 18 anos se converteu ao mundo pentecostal, na Igreja de Nova Vida, através de sua irmã, que fora curada de bronquite asmática nesta denominação. Anteriormente freqüentava a Igreja Católica e os centros de Umbanda. Depois de 12 anos como membro da Nova Vida, farto do elitismo da igreja e sem apoio para suas atividades evangelísticas, consideradas agressivas, decidiu alçar vôos mais altos. Em acordo com Romildo Ribeiro Soares, Roberto Augusto Lopes e dos irmãos Samuel e Fidélis Coutinho, fundou em 1975 a Cruzada do Caminho Eterno. Antes mesmo de Abri-la, Macedo e Romildo, foram consagrados pastores na Casa da Benção pelo missionário Cecílio Carvalho Fernandes. Com sua experiência com números e dinheiro, Macedo se tornou tesoureiro da Cruzada. Dois anos depois, nova cisão. Desentendendo-se com os irmãos Coutinho, Edir e os outros dois, além do bispo Carlos Rodrigues, fundaram a Universal. Entre uma cisão e outra, Macedo pregou de casa em casa, nas ruas, em praça pública e cinemas alugados. No começo, o missionário R. R. Soares era o líder da Universal e seu principal pregador. Entretanto, sua liderança começou a declinar e Macedo surgiu como o novo líder. O estilo autoritário e centralizador de Macedo contribuíram e muito para a derrocada de Soares. No final dos anos 70 os dois chegaram a um impasse. Macedo propôs que a disputa fosse resolvida por meio de uma votação do presbitério. Macedo venceu o pleito. Soares foi recompensado financeiramente, e desligou-se da Universal, para fundar, em 1980, nos mesmos moldes, a Igreja Internacional da Graça de Deus. E foi assim que Macedo atropelou o cunhado, e se tornou o principal líder da IURD. Em julho de 1980, por ocasião do terceiro aniversário da Universal, o pastor Roberto Lopes dirigiu o culto de consagração de Macedo ao bispado, momento em que a igreja adotou o sistema eclesiástico episcopal, tal qual o da Nova Vida. No mesmo ano, Lopes, ex-coroinha e ex-frequentador da umbanda, sob ordens de Macedo, rumou para São Paulo com a missão de implantar a Igreja na capital. Fundou a primeira sede da igreja no Parque D. Pedro II, que mais tarde, foi transferida para o bairro da Luz, e em seguida, para o antigo Cine Roxi, no Brás, que se tornou sua sede nacional em 1992. Em 1984 Lopes retornou ao Rio. Dois anos depois ingressou na carreira política e foi eleito deputado federal pelo PTB/RJ com 54.332 votos. Em 1987, porém, desligou-se da Universal e retornou à “velha casa”. Com sua saída, Macedo passou a reinar absoluto. O bispo Macedo foi morar nos EUA em 1986 com o intuito de expandir a Universal pelo mundo. Pretendia criar um núcleo de evangelismo mundial enviando os estrangeiros lá convertidos como missionários para seus países de origem. A estratégia não deu muito certo. Em 1990 optou em investir na clientela espanhola. Contudo, também não obteve o sucesso esperado. Atualmente a Universal está inserida em mais de 50 países, seus templos chegam a mais de três mil, e possui mais de um milhão de membros.
MAGIA ORGANIZADA: Embora fartos de simbolismo e pródigos em manifestações sobrenaturais, os cultos da Universal caracterizam-se pela simplicidade. Além de simples, sua liturgia é despojada, sem roteiro rigidamente preestabelecido a ser seguido. Não existe um momento certo para orar, cantar, exorcizar ou ofertar. Os pastores detêm liberdade na direção do culto. A reunião tanto pode começar com oração, cânticos, corinhos, bem como no pedido para que as pessoas se aproximem do púlpito para participar da corrente de oração do dia. O pastor é quem faz tudo: ora, canta, prega, pede ofertas. Comanda o culto do princípio ao fim. Quanto às correntes de oração, aso rituais de exorcismo e de unção e à oração com imposição de mãos, o pastor conta com o abnegado e indispensável auxílio dos obreiros. Desta forma, não é exagero afirmar que a Universal estabeleceu um sistema de magia organizado e bem elaborado. Ela institucionalizou denominacionalmente práticas e crenças mágico-religiosas de inspiração cristã. E isto deriva do fato dela se propor, na qualidade de mediadora dos poderes divinos, a resolver todos os problemas terrenos dos fiéis. É justamente para atender eficientemente a tais interesses e necessidades da clientela, majoritariamente pobre e pródiga em demandar soluções mágicas, que ela organiza e raciocina sua oferta de serviço religiosos. Verifica-se isto, de imediato, no fato de ter rotinizado a dispensarão das graças divinas e fixado um calendário de cultos e rituais para prestar atendimento especializado a problemas determinados. Às segundas-feiras: oferece soluções sobrenaturais para quem deseja prosperidade; às terças: para cura física; às quintas: para problemas familiares e afetivos; às sextas: faz libertação espiritual (exorcismos); aos sábados: repete ritual para prosperidade. Os cultos de quarta e domingo são dedicados à adoração do Espírito Santo. A Universal tem hinário próprio e seus cultos são intercalados com corinhos avivados. Apesar disso, não ênfase no louvor, e sim, na luta contra o diabo e a evangelização. Os neófitos são normalmente aliciados como obreiros voluntários. Estes trabalham muito e nada recebem. Aqueles que carecem de tempo para serem obreiros ou pastores são encorajados a entrar na luta contra as hostes infernais (“guerra santa”), a pregar o evangelho, distribuindo folhetos em locais públicos, convidando amigos, parentes e vizinhos aos cultos e, sobretudo, a ofertar e ser fiel no pagamento de dízimo, colaborando para a expansão do reino de Deus na terra. A igreja exige muito de seu pastores e obreiros, pois funciona como um verdadeiro “pronto-socorro espiritual”. Seu apelo às pessoas é “pare de sofrer”. Assim os pastores e obreiros têm de estar sempre de plantão. Sua membresia e clientela é formada por pessoas carentes, sofredoras e marginalizadas. Pesquisa realizada pelo ISER revela que 91% dos seus membros recebem menos de 5 salários mínimos, 85% não passaram do primário, 60% são pardos e 24% negros. Portanto, são os muito pobres e marginalizados que fazem a fortuna da Universal. A universal prega que há esperança para todos, e que Jesus deseja libertar as pessoas do mal e conceder-lhes “vida em abundância”. O Reino dos céus é aqui na terra. Enfim, prega a Teologia da Prosperidade. Ela também não desenvolve atividades assistenciais para seus membros. Neste caso, a ação social da igreja se restringe aos de fora. No Rio mantém dois orfanatos e dois asilos e oferece curso de alfabetização de adultos até a 4a série reconhecido pelo MEC. Em São Paulo assumiu a direção da Sociedade Pestalozzi, que possui escolas e sustenta projetos assistenciais para crianças excepcionais. Atua em delegacias e presídios. Criou a ABC, Associação Beneficente Cristã, em 1994 para combater a fome e desbancar os projetos assistenciais da VINDE.
A VIA-CRÚCIS DO PASTORADO: Para ser pastor na Universal, é preciso negar a si mesmo, tomar sua cruz, despojar-se de tudo, abandonar estudo, trabalho e, no caso dos solteiros, família. Pastores casados sem filhos e aqueles prestes a casar são aconselhados a fazer vasectomia para poderem se dedicar exclusivamente à obra divina. Os pastores praticamente não têm folgas. Estão sempre atarefados com os cultos diários, aconselhamentos pastorais, programas de rádio e TV, vigílias e, no final do expediente, com montanhas de cédulas de dinheiro para contar. Dorme pouco. Trabalham muito. Família é aspecto secundário. As esposas dos pastores também sofrem na Universal. Existem regras rigorosas sobre a conduta feminina: devem ser discretas, boas mães e amorosas, submissas e obedientes aos maridos. Sua maior preocupação deve a de não incomodar o marido. Além disso, deve também, ser o braço direito do marido e tudo fazer, voluntária e gratuitamente, desde a limpeza do templo até evangelismo em presídios, para ajudá-lo em seus afazeres. Na Universal há pastores nomeados e consagrados. Os primeiros exercem a função de auxiliar. São normalmente jovens. Não realizam casamentos nem ministram os sacramentos. Devem ser casados e mostrar aptidão para o ministério. Ganham apenas uma ajuda de custo. Os últimos ganham em média de 4 a 5 mil reais. No geral levam uma vida confortável. Muitos deles têm direito a plano de saúde, casa, telefone, carro, escola paga para os filhos. Nenhum destes bens, no entanto, lhes pertence. São da igreja. Os que se destacam assumem programas de rádio, espaço na TV e têm seus pedidos atendidos. Logo são transferidos para dirigir templos maiores. A Universal não possui seminário. Tinha um mas fechou. Atualmente existe o Instituto Bíblico Universal, não obrigatório e com duração de 6 meses. O Governo eclesiástico da Universal é centralizado em torno de seu líder carismático. Pastores e congregações não possuem autonomia alguma. Os membros não escolhem os seus pastores, que são designados, e obedecem a um esquema de rodízio. Quem não cumprir as exigências (dedicação, profissionalismo e aumento de produtividade) são sumariamente despojados. Fonte:http://www.sabetudo.net/ccb/ExplosaoDeDenominacao2.htm